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Endereço Postal: A Diáspora Intergaláctica

 

A designação do termo Arte, substantivo feminino, vem do latim Ars, que significa habilidade. É definida como uma atividade que manifesta a estética visual, desenvolvida por artistas que se baseiam em suas próprias emoções, geralmente a arte é um reflexo da época e da cultura vivida. Falar de arte, estando em uma cultura ocidental, é por definição estrutural falar de modelos eurocêntricos. Pensar em Afrofuturismo é propor um rompimento com essa estrutura, é pensar em Agencia Artística e Cultural Africana em Diáspora como motivação da arte contemporânea preta em todas as suas esferas, desde o nascimento da existência humana no universo.

É deste princípio estético que nasce a cena curta Endereço Postal. Uma proposta cênica que busca uma interseção entre a cultura africana, tecnologia, libertação cultural e imaginação com algum nível de misticismo aplicado a teorias sobre o futuro e passado. Estamos tratando então de questões fundamentais e intrínsecas à natureza humana, porém por vivermos em uma sociedade com base estrutural eurocêntrica e ideal de identidade norte-americano, as referências e o modelo ideológico padrão de ser humano nunca reconhecem como válidas as ideologias, filosofias, religião, morfologia e tecnologias africanas, ou seja, as obras de fantasia e ficção sempre refletiram esse modelo “padrão” de cultura eurocêntrico.

Em cena o ator Preto Amparo constrói uma narrativa visual e estética pautada nestes princípios de descolonização do pensamento. A cena é guiada pela musicalidade de Jorge Ben e transita na construção de novos olhares para a discussão do racismo na contemporaneidade e como a estruturação deste preconceito em nossa sociedade molda toda nossa existência.

“A civilização branca, a cultura europeia, impuseram ao negro um desvio existencial.” — Frantz Fanon

SINOPSE

E se eu pulasse?
E se eu não tivesse medo?
E se eu desejasse o inevitável?
E se tudo um dia retornasse?

Vamos começar uma revolução subjetiva.
Pôr fim às felicidades privadas.
Confiscar toda tristeza!
Sonhando poemas épicos.
Com tintas do cotidiano!
Mandaremos notícias…

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